RWA Mozambique Sisters Share Experiences with the Climate Crisis

Listen to Carla narrate the crisis in her own words

Story 1 – Carla

English Version

My name is Carla Virgílio Coan, a young rural woman from Mozambique. I live in the Muanza District with my grandmother.

The climate crisis has deeply affected our lives. My grandmother lost everything when the floods invaded our machamba (farm fields). She was already sick at the time, and when we returned to the machamba, there was nothing left to recover.

All our crops were destroyed. We lost maize, sweet potatoes, cassava, bananas, nhamba beans, pumpkin leaves, and sugarcane. These crops were our food and our livelihood.

During the floods, the water reached waist level in the fields. It was impossible to save anything.

Since then, life has become very difficult for us. The floods did not only destroy crops, they brought hunger, death, the destruction of houses, and the loss of property.

For rural families like ours, the machamba is our life. When the floods came, it felt like nature was fighting against everyone, and we were left with nothing.

História Climática – Moçambique

Versão em Português

O meu nome é Carla Virgílio Coan, uma jovem mulher rural de Moçambique. Vivo no Distrito de Muanza com a minha avó.

A crise climática afetou profundamente as nossas vidas. A minha avó perdeu tudo quando as cheias invadiram a nossa machamba. Naquele momento ela já estava doente e, quando voltámos à machamba, já não era possível recuperar nada.

Todas as nossas culturas foram destruídas. Perdemos milho, batata-doce, mandioca, banana, feijão nhamba, folhas de abóbora e cana-de-açúcar. Estas culturas eram a nossa alimentação e também o nosso sustento.

Durante as cheias, a água chegou até à cintura nos campos. Era impossível salvar qualquer coisa.

Desde então, a vida tornou-se muito difícil para nós. As cheias não destruíram apenas as culturas, trouxeram também fome, mortes, destruição de casas e perda de bens.

Para as famílias rurais como a nossa, a machamba é a nossa vida. Quando as cheias chegaram, parecia que a natureza estava a lutar contra todos, deixando-nos sem nada.

Listen to Triunfa’s climate crisis story in her words

Story 2: Triunfa Vontade

English Version

My name is Triunfa Vontade, a young rural woman and peasant from Mozambique, from the Manhiça District, one of the areas most affected in the agricultural sector by the floods of 2026.

When the floods came, my fields were completely submerged. Before the disaster, I had planted beans, maize, cassava, sweet potatoes, bananas, and sugarcane. These crops were meant to feed my family, support our daily lives, and provide income through selling part of the harvest.

But everything was destroyed by the floods.

Now we face many difficulties. Without seeds, we cannot replant. Without crops, there is food insecurity in our households and across the country. The loss of our fields has made survival even harder for rural families.

The floods did not only destroy our crops. Many families also lost their homes, belongings, and even loved ones.

Despite this suffering, we remain in solidarity with all families who have lost their houses, their livelihoods, and their relatives during these floods.

Versão em Português

O meu nome é Triunfa Vontade, uma jovem mulher rural e camponesa de Moçambique, do Distrito de Manhiça, uma das áreas mais afetadas no setor agrícola pelas cheias de 2026.

Quando as cheias chegaram, as minhas machambas ficaram completamente inundadas. Antes do desastre, eu tinha produzido feijão, milho, mandioca, batata-doce, banana e cana-de-açúcar. Estas culturas eram para o consumo da família, para garantir o nosso sustento e também para a comercialização.

Mas tudo foi destruído pelas cheias.

Agora enfrentamos muitas dificuldades. Sem sementes, não conseguimos voltar a plantar. Sem colheitas, instala-se a insegurança alimentar nas nossas famílias e até no país. A perda das nossas machambas tornou a sobrevivência ainda mais difícil para as famílias rurais.

As cheias não destruíram apenas as nossas culturas. Muitas famílias também perderam casas, bens materiais e até entes queridos.

Mesmo diante deste sofrimento, continuamos em solidariedade com todas as famílias que perderam as suas casas, meios de subsistência e familiares durante estas cheias.

Listen to Maria’s Climate Crisis Experience in her own words

Story 3: Maria Helena Luís Manguana

English Version

My name is Maria Helena Luís Manguana, I am 32 years old, and I live in Maputo City, Mozambique. When we talk about the floods, we are talking about destruction, suffering, and loss. For many families in Maputo, the floods have meant tears, displacement, and even death.

More than 500,000 people in the city of Maputo were affected by the floods, especially those living in low-lying areas. However, even areas that were once considered safe were not spared. The floods destroyed houses, roads, and infrastructure, and caused massive losses in agriculture. Much of the agricultural production was washed away or dragged into the rivers. Livestock production was also severely affected, with farmers losing cattle, poultry, and other animals.

Many families were forced to leave their homes. Their houses were flooded, furniture was submerged, and living conditions became impossible. Some families sought shelter in churches, schools, and other temporary centres, while others moved into the homes of relatives or neighbours.

The floods also damaged more than 30,000 hectares of agricultural land, worsening food shortages. Roads were destroyed or cut off, making it difficult for people to access hospitals, schools, and essential services.

Standing water remains in many areas because there is no drainage system to remove it, creating serious health risks. These conditions increase the spread of malaria, cholera, diarrhoea, and other diseases.

Today, many families continue to suffer. Houses remain damaged, livelihoods are lost, and hunger has spread across communities.

For the people of Maputo, the floods have brought chaos, suffering, and deep uncertainty about the future.

Versão em Português

Saudações, chamo-me Maria Helena Luís Manguana, de 32 anos de idade, residente na cidade de Maputo. Vou falar dos impactos das cheias. Dizer que falar das cheias é o mesmo que falar da destruição, é o mesmo que falar do sofrimento, é o mesmo que falar do choro, é o mesmo que falar de morte, devido ao que ainda se vive na cidade de Maputo, devido aos desastres causados pelas cheias.

Dizer que na cidade de Maputo foram afetadas mais de 500 mil pessoas, principalmente as que se encontram nas zonas baixas, e não só, mesmo aqueles que estão nas zonas seguras foram afetadas sim, causando destruição de infraestruturas, perdas agrícolas, quase toda a produção da campanha agrícola foi afetada, foi arrastada pelos rios, e houve também perdas humanas. Com isso, algumas famílias foram obrigadas a abandonar as suas casas, devido às enchentes, as casas ficaram alagadas, as mobílias todas ficaram submersas, dificultando a vida dessas famílias dentro das casas. Por isso que foram alojados nos centros de acolhimento, centros esses que foram as igrejas, as escolas, as obras, e outras famílias que também encontraram-se nessa situação, não recorreram nos centros de acolhimento, mas sim em casa dos outros familiares.

Perdeu-se também a produção agrícola, uma estimativa de pouco mais de 30 mil hectares que foram alagadas pelas águas, outras arrastadas, até a produção pecuária não escapou. Para os produtores, os pecuários também sofreram muito, perderam a sua criação, o seu gado, os seus aviários foram destruídos, tudo desabou. Houve também a destruição de estradas que foram cortadas, dificultando a travessia e acesso aos serviços básicos, como é o caso dos hospitais e as escolas, que também ficaram destruídos.

Algumas escolas serviram como centro de acolhimento, sim, mas algumas, nem para o centro, nem para as aulas, não servem. Ficaram totalmente submersas. Até hoje, ainda encontram-se submersas com as águas paradas, que já estão causando… que vão causar danos significativos à saúde.

Porque essas águas paradas vão causar malária, vão causar doenças diarréicas, cóleras. E essas águas, o pior de tudo é que não têm para onde ir, porque estão em zonas que não têm um sistema de drenagem, não têm um sistema de drenagem que possa escoar essas águas para os rios. Então as águas ainda permanecem lá, as casas estão cada vez mais a se destruir, as famílias não têm para onde ir, carecem mesmo de ajuda.

E com tudo isso instalou-se a fome. A fome por quê? Porque a produção agrícola foi arrastada e as estradas que ficaram cortadas dificultam a entrada de produtos de primeira necessidade. Porque, por exemplo, a cidade de Maputo depende muito mais de produtos que vêm das outras províncias, mas por causa das cheias os produtos não vêm, não têm como passar, as vias de acesso estão cortadas.

E por isso estamos assim. É um caos, é um sofrimento. E é a fome que se instalou na cidade de Maputo.

Obrigada.

Lucinda shares her story in her own words

Climate Story 4 – Lucinda

English Version

My name is Lucinda Marieta Antimani. I am a rural woman from Mozambique, from the Muanza District. I have suffered, and I am still suffering, because I lost everything when the floods came. When the floods invaded my machamba (farm field), I was already sick. When I later went to check the field, it was no longer possible to recover anything. Everything had been destroyed. I lost all my crops: maize, sweet potatoes, cassava, bananas, beans, nhamba beans, pumpkin leaves, and sugarcane. These were the crops that fed my family and supported our daily lives.

In my machamba, the water reached up to my waist. It was impossible to save anything. Since then, life has become very difficult. The floods did not only destroy the crops. They brought misfortune, hunger, deaths, and the destruction of homes. For us rural women, the machamba is our life. When the floods came, it felt as if nature was angry with everyone, and we were left with nothing.

História Climática – Moçambique

Versão em Português

O meu nome é Lucinda Marieta Antimani. Sou uma mulher rural de Moçambique, do Distrito de Muanza.Eu sofri e continuo a sofrer porque perdi tudo quando vieram as cheias. Quando as cheias invadiram a minha machamba, eu já estava doente. Quando fui ver o campo, já não era possível recuperar nada. Tudo tinha sido destruído. Perdi todas as minhas culturas: milho, batata-doce, mandioca, banana, feijão, feijão nhamba, folhas de abóbora e cana-de-açúcar. Estas culturas eram a alimentação da minha família e o nosso sustento diário.

Na minha machamba, a água chegou até à cintura. Era impossível salvar qualquer coisa. Desde então, a vida tornou-se muito difícil. As cheias não destruíram apenas as culturas. Trouxeram miséria, fome, mortes e destruição das casas. Para nós, mulheres rurais, a machamba é a nossa vida. Quando vieram as cheias, parecia que a natureza estava zangada com todos, deixando-nos sem nada.

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